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Edward Hopper
Compartment C Car
[1938]
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George Beare
Portrait of a Lady Holding a Book
[1740-49]
O direito às coisas belas é um manifesto filosófico, político e cultural sobre a importância de reivindicar uma vida livre das exigências atuais do capitalismo, do trabalho e da obsessão pela produtividade, propondo uma existência capaz de tirar mais partido do descanso e do prazer pelas coisas belas.
Com uma prosa luminosa e combativa, mas também muito poética, o autor defende um conjunto de direitos, como o direito à preguiça, à jubilação, à cidade ou à literatura; os direitos às coisas belas, não como concessões do sistema, mas como atos radicais de resistência à alienação capitalista.
Numa era em que a religião do trabalho exige dos seus fiéis crescentes sacrifícios laborais, em troca de um lugar na santa comunidade de cidadãos honestos, ler O Direito à Preguiça (1880) é cometer um salutar pecado capital.
No século XIX, quando já os santos do capitalismo se alinhavam no firmamento da economia, Paul Lafargue aprimorava na prisão, com muita ironia, este ensaio clássico e iconoclasta. Debruçando-se sobre a devoção ao trabalho que arrebatara os operários da época, o autor punha em causa a universalidade e a historicidade deste absurdo zelo, numa sociedade em que o indivíduo se abstinha do seu tempo livre em nome da sobreprodução e da acumulação obsessiva. Leitura imprescindível nos tempos que correm, O Direito à Preguiça é um eloquente manifesto contra o vício do trabalho, que corrompe as faculdades humanas, e em defesa da liberdade fundamental de empregarmos o tempo a nosso bel-prazer.
Envia-nos dicas de livros, filmes, documentários, artigos ou podcasts que possam enriquecer o Clube.
Criar um Clube de Leitura, Pensamento, Diálogo e Escuta no interior desertificado pode, à partida, parecer audacioso. Reunir um grupo de pessoas para partilhar opiniões, frente a frente, num mundo cada vez mais polarizado, pode soar intrépido. Ao dar corpo a este clube, o meu objetivo foi andar em contraciclo, provocar acontecimentos e construir um espaço onde todos caibam, independentemente do credo, das ideologias ou da posição política.
A expressão “Chão Comum“, do inglês common ground, remete para um espaço onde pessoas com visões distintas sobre um mesmo tema se possam exprimir com liberdade. O nome escolhido para este clube pretende ser um contraponto ao narcisismo alimentado pelo tempo excessivo que passamos online, convidando-nos a olhar para o outro e a refletir sobre a sociedade sob uma mesma base, sem fronteiras.
E como o vamos fazer?
Partimos do livro, como objecto essencial e democrático que é, para nos introduzir complexidade e profundidade, nos iluminar e engrandecer. Ler. Mesmo quando o estado do mundo nos pede doses mortais de escapismo em scrolls infinitos, que só nos mostram a rama e nunca nos levam à raíz. Ler. Como forma de construir pensamento crítico.
Pensar. Fugir ao que nos chega mastigado, porque discernir e interrogar-se, tem de ser sempre por conta própria. Soltar o pensamento enquanto diminuímos o ruído. Pensar até atingir o ponto da clarividência com sagacidade.
Partilhar o nosso pensamento. Falar e ouvir, a argamassa que mantém tudo colado. Colocarmo-nos numa posição de desconforto mas, também de deslumbre. Falar sem ter medo de errar. Todos partimos de lugares diferentes. A opinião individual tem um tamanho molecular perante o universo, por isso não existem certezas, apenas a partilha generosa de opiniões e o questionamento, sempre que houver dúvidas.
Criei este clube, porque temos o dever de estar atentos. Jamais indiferentes.
Ana Cristina Fernandes
No formulário de inscrição em baixo. A inscrição tem um fee anual de 15eur. O Clube não tem fins lucrativos, o valor é integralmente usado para o bem comum de todos os membros do Clube.
Os encontros serão de dois em dois meses, no penúltimo Sábado do mês, ao final da tarde. Embora, possa sofrer alterações caso os membros, por unanimidade assim o entendam.
Qualquer membro pode sugerir temas e, de forma democrática, escolhemos em conjunto as temáticas das próximas sessões.
São recomendados livros, artigos, entrevistas, podcasts, filmes ou documentários. Material em qualquer suporte, que enriqueça o tema abordado.
Fica ao critério de cada um. Todos os membros são livres de se posicionar entre ser um espectador ou interveniente. A finalidade do Clube, é também a de nos tirar dos nossos lugares de conforto.
As sessões servem para nos conhecermos, debater, dialogar, pensar, escutar, planear, rir (e porque não chorar), comer e beber.
Preferencialmente por email, onde terão acesso aos materiais e informações importantes.
O formato é presencial e analógico. Durante as conversas não será permitido captar som. De forma livre, podem partilhar imagens nos perfis pessoais, com o cuidado de não expor os membros, que não querem ser expostos.
Todos. Qualquer membro pode convidar outras pessoas que tenham interesse no formato.
clube@chaocomum.pt | 937 291 961